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BRIQUET DE LEMOS
uma vida dedicada ao livro
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Ele
nasceu no Piauí, praticamente dentro da tipografia do pai.
Cresceu e amadureceu no Ri de janeiro, estudando sobre e
trabalhando em bibliotecas. No auge da vida, estabeleceu-se em
Brasília e hoje é livreiro e editor. Definitivamente, Antonio
Agenor Briquet de Lemos, o "seu Briquet", é um caso
especialíssimo de vida dedicada ao mundo do livro. Hoje, aos 66
anos, aposentado como professor de biblioteconomia da
Universidade de Brasília (UnB), Briquet trabalha com prazer em
sua livraria especializada em livros de arte, arquitetura,
fotografia e design. Conseguiu transformar um ponto nada
convencional, no oitavo andar do Embassy Tower, no Setor de
Rádio e TV Sul, em referência de qualidade, charme e excelente
atendimento, ao mesmo tempo em que publica por sua pequena
editora livros especializados na área de biblioteconomia.
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O
pai, Antonio Lemos, foi jornalista e tipógrafo em Teresina (PI).
Caçula de 12 filhos, Briquet passou a infância acompanhando o
processo de feitura de livros no estabelecimento do pai. O
fascínio pelo livro nasceu aí. Aos 11 anos, acompanhou a família
na mudança para o Rio de janeiro. Aos 15, ainda no ginásio,
começou a sua ligação com bibliotecas, ao virar office boy da biblioteca do Hospital dos Servidores do
Estado. Enquanto trabalhava, fez o ensino médio (então 2º
Ciclo) o tradicional colégio Dom Pedro II. Na hora de escolher o
curso universitário que faria, optou por biblioteconomia, cursado
na Biblioteca Nacional (atualmente, Escola de Biblioteconomia da
Universidade do Rio de Janeiro).
Nessa época, foi marcado pela
leitura de autores como o russo Dostoiévski ("pela exposição do
mal, da dualidade nata do ser humano") e os franceses Balzac e
Stendhal. Mas o que desde então sempre volta para sua mesa de
cabeceira é Machado de Assis, reverenciado como gênio da raça.
Hoje, adora literatura policial. "Tenho me surpreendido
muito positivamente com os policiais desses novos autores
brasileiros, como o Luís Alfredo Garcia-Roza", derrama-se.
O jovem Briquet fez carreira como
bibliotecário e professor - com um breve período como jornalista
do Jornal do Brasil. Depois de especializar-se na Inglaterra e nos
Estados Unidos, acabou convidado para assumir como professor na
então recém-criada UnB. Mudou-se para Brasília em 1968. Anos
depois, não bastasse a cátedra na faculdade de Biblioteconomia,
foi convidado a ser diretor da Editora da Universidade. Entre 1989
e 1992, pôde aprender todos os macetes de produção e distribuição
do livro. Amadurecia então uma idéia que o acompanhava desde o Rio
de Janeiro, a abertura de uma editora própria.
Decidiu partir para a nova
empreitada em 1993, assim que se aposentou na UnB. Com a mulher,
Lúcia, também formada em biblioteconomia e ex-diretora da
Biblioteca do Senado, fundou a tão sonhada editora em uma sala no
oitavo andar do Embassy Tower, edifício no SRTS. "Como professor,
tinha sofrido na pele a carência enorme de bibliografia em
português na área a que dediquei a minha vida. Então, decidi que
faria meu caminho por aí", conta Briquet. O primeiro livro saiu
ainda em 1993. Hoje, já são 19 títulos publicados - todos na área
de biblioteconomia.
Mas ainda faltava alguma coisa.
"Éramos só eu, Lúcia e um computador. Começamos a olhar a sala
vazia e a pensar que poderíamos fazer outro uso dela. Começou a
germinar a idéia de abrirmos uma livraria. Mas queríamos algo
especializado. Optamos pela área de arte e nos concentramos nesse
foco", relembra Briquet. No início, o acervo era minúsculo, coisa
de apenas uma estante. Mas como fazer com que as pessoas
achassem aquela loja no alto de um edifício? Em 1995, junto com o
amigo Joaquim Barroncas, dividiram um estande na Feira do Livro de
Brasília e distribuíram folhetos sobre a loja. "Pronto, aí as
coisas começaram a acontecer", faz questão de ressaltar.
Se a Feira foi importante para a
arrancada da livraria de Briquet, o livreiro acabaria sendo
fundamental para uma mudança importante ocorrida nos últimos anos
na Feira. Foi dele a idéia de aproveitar o espaço externo do Pátio
Brasil Shopping, no coração da cidade, para a realização da Feira.
A idéia foi aceita pela diretoria da Câmara do Livro do Distrito
Federal e, já há três anos, a Feira é realizada no local - o que
facilitou tremendamente o acesso do público.
Hoje, a livraria do "seu Briquet" é
referência não só em Brasília, mas também tem grande projeção
nacional. O advento da Internet colocou a pequena , mas
qualificadíssima, livraria ao alcance de leitores atentos de todo
o país. Briquet está satisfeitíssimo, mas prepara novos projetos,
como uma eventual ampliação da livraria. Os leitores agradecem.
PREFÁCIO
- Jornal da Câmara do Livro do Distrito Federal,
março de
2004 |