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Não têm faltado discursos, projetos e programas que louvem, planejem e financiem a biblioteca escolar. A realidade, porém, como foi constatado no censo escolar de 2010, cujos resultados preliminares foram divulgados no início de 2011, ainda é muito decepcionante.
Um terço somente (30,4%) das escolas de ensino fundamental dos cinco primeiros anos possui bibliotecas. E esse número engloba tanto as escolas públicas quanto particulares. À medida que se ascende na sequência de ensino, a situação fica menos ruim. Do sexto ao nono ano, o percentual de escolas com biblioteca passa para 58,7% e no ensino médio chega a 74%.
O fato é que mais de 96 mil escolas onde são ministrados os anos iniciais do ensino fundamental não contam com bibliotecas que atendam aos corpos docente e discente e ao pessoal administrativo. E são quase 26 mil as escolas dos anos finais do ensino fundamental que nada têm a oferecer quanto a serviços de bibliotecas. O número absoluto no ensino médio é de quase sete mil escolas.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, período crucial para a formação de futuros leitores e usuários da informação, mais de oito milhões de crianças não tiveram a oportunidade de conhecer e utilizar os serviços de uma biblioteca escolar. Nos anos finais são cinco milhões e no ensino médio são pouco mais de dois milhões de carentes de biblioteca escolar. O total, em números absolutos, chega, portanto, a cerca de 15 milhões de estudantes privados da oportunidade de usufruir da leitura e do estudo extraclasse que, entre outros serviços, a biblioteca escolar pode oferecer.
Falta ainda conhecer dados que confirmem aquilo que os educadores e bibliotecários já conhecem: são poucas as bibliotecas escolares existentes que prestam realmente os serviços que lhes competem. Com acervos pobres e desorganizados, mal-instaladas, desconfortáveis, carentes de pessoal qualificado, são muitas vezes transformadas no limbo para onde são excluídos os funcionários problemáticos, doentes ou ansiosos pela aposentadoria.
O objetivo deste manual é contribuir para o amplo processo de capacitação e qualificação de pessoal que será necessário para levar a biblioteca escolar a todos os estudantes no menor prazo possível. E dessa forma completar o esforço maior voltado para a melhoria da qualidade da educação.
Adelaide Ramos e Côrte fez a graduação e o mestrado em biblioteconomia na Universidade de Brasília. Sua larga experiência profissional foi obtida em biblioteca especializada e universitária. Participou ativamente do movimento associativo na Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal.
Suelena Pinto Bandeira fez a graduação e o mestrado em biblioteconomia na Universidade de Brasília. Trabalhou em vários tipos de bibliotecas: escolar, pública, universitária, especializada, bem como em centros de documentação e informação. Dela nesta editora: O mestre dos livros: Rubens Borba de Moraes (2007).
Sumário
Prefácio, Iara Conceição Bitencourt Neves, v
1 A biblioteca escolar e sua importância no aprendizado da leitura e na educação 1
2 Os usuários da biblioteca escolar 10
3 Os profissionais que fazem a biblioteca escolar 12
4 Planejamento e organização do espaço físico 19
5 Administrando a biblioteca 35
6 Como deve ser o acervo de uma biblioteca escolar 53
7 Seleção, aquisição e desenvolvimento do acervo 61
8 Preparando para usar 69
9 A organização do acervo nas estantes 103
10 O serviço de referência 105
11 Serviços e produtos oferecidos pela biblioteca 112
12 Realizando pesquisas escolares 121
13 Dinamização da biblioteca escolar 127
14 Orientação para a informatização da biblioteca 132
15 Conservando e preservando o acervo 140
16 Perguntas importantes 144
Referências 150
Texto de apoio 1: Lei n° 12 244, de 24 de maio de 2010 153
Texto de apoio 2: Modelo de estatuto da sociedade de amigos da biblioteca 153
Texto de apoio 3: Sinopse da CDD 160
Texto de apoio 4: Sinopse da CDU 163
Texto de apoio 5: Modelo de regulamento de uma biblioteca escolar 165
Texto de apoio 6: Modelo de relatório mensal 169
Texto de apoio 7: Modelo de relatório anual 170
Texto de apoio 8: Orientação sobre alfabetação de fichas no catálogo-dicionário 171
Índice 173


