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Não deixa de ser curioso que, quando se debate os temas postos pelas artes visuais, pouco se discuta as escolas e o ensino de arte. Silêncio ainda mais perturbador ocorre quando se considera o impacto das transformações estéticas, questões sociais, tecnológicas e científicas postas em curso a partir das últimas décadas do século XX e neste início de século XXI. Vivencia-se a incorporação de novas práticas artísticas sim, mas também o convívio com múltiplas culturas. Acrescente-se a reconfiguração dos conceitos, o tema das novas mídias, a interação de linguagens ou a interdisciplinaridade que surge junto com discussões sobre ética, hegemonias culturais e responsabilidade social.
Motivo recorrente nos textos reunidos nesta edição da Revista do Instituto Arte das Américas é exatamente esta trama de novas questões que tanto deixam a sensação de versalete esgotamento ou anacronismo das estruturas artísticas quanto esboçam os fundamentos que devem ser enfrentados para se alcançar uma outra situação. Não por acaso, aqui, vários autores rememoram origens, fundamentos, mutações da arte, das mostras e escolas de arte etc., mas para apontar uma necessidade de transformação (de conceitos), de reformulação (de currículos) e de atualização (de pedagogias) que possibilite o superar de situações de isolamento, clausura e uma retomada de um diálogo com a sociedade.
Walter Sebastião


